Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico na comunidade de Mirim, Imbituba/SC

Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico em área de empreendimento logístico
27 de março de 2025

Estudos arqueológicos em área destinada a implantação de rotatórias sul e norte na BR 101

Inserida em um contexto de ocupação humana muito antigo, a comunidade do Mirim está localizada no município de Imbituba, Santa Catarina, 4 quilômetros a oeste do seu centro urbano, às margens das pistas sul e norte da BR-101. Fundado no século XVIII e constituído por açorianos e luso-brasileiros, o povoado se dedicou inicialmente às atividades da pesca e da agricultura, erguendo edificações que hoje representam importante patrimônio histórico regional.

Deve-se ter em conta, ainda, que o território que hoje pertence ao município de Imbituba já foi habitado populações ainda mais antigas no período pré-colonial, ou seja, antes da chegada dos primeiros europeus às terras americanas. Merecem destaque os sambaquieiros e os povos guarani, que habitaram estes mesmos espaços e deixaram como testemunho de sua presença nas terras litorâneas inúmeros vestígios materiais que hoje compõem os sítios arqueológicos.

Partindo deste contexto, a equipe de pesquisadores da Espaço Arqueologia esteve na comunidade do Mirim para execução de avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico em área destinada a implantação de rotatórias sul e norte na BR 101. As ações da pesquisa têm como papel central identificar a possível presença de bens culturais, assim como proteger e difundir, junto à comunidade, a importância do patrimônio local.

Segundo Valdir Luiz Schwengber, arqueólogo coordenador da pesquisa, “a legislação vigente e o alto potencial arqueológico do local torna necessária a realização de estudos arqueológicos para que o empreendimento possa ser instalado”. O pesquisador destaca que o alto potencial arqueológico da área se deve a sua implantação na paisagem (entre pontais rochosos e lagoas), semelhante aos locais onde é comum a ocorrência de sambaquis ou sítios associados aos guarani.

Schwengber complementa informando que, em campo, a equipe de arqueólogos realizou linhas de caminhamentos sistemáticos no interior da área em que ocorrerão as obras, e foram escavados poços-teste para investigação em subsuperfície.

Com as pesquisas realizadas não foram identificados vestígios arqueológicos e, como complemento, fez-se junto à comunidade o trabalho de divulgação da pesquisa por meio da entrega de material didático/informativo, que traz informações sobre as diferentes etapas da pesquisa arqueológica no contexto do licenciamento ambiental, e sobre os bens culturais acautelados pelo IPHAN existentes na região.
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